Nova Poética Concreta

Sobre o movimento

A corrente da Nova Poética Concreta ocupa um espaço singular na arte urbana paulistana por transformar a letra — sua forma, ritmo, síntese e estrutura — em matéria plástica. Trata-se de uma vertente que desloca a escrita de sua função comunicativa para assumir papel visual, aproximando o grafite de pesquisas da poesia concreta, do design tipográfico experimental, da caligrafia gestual e da abstração gráfica. Enquanto o graffiti tradicional enfatiza o nome, e a pixação privilegia o código identitário, a Nova Poética Concreta explora a letra como objeto, como forma pura, como geometria viva, como estrutura rítmica. Assim, esta corrente não se define apenas pelo uso de palavras, mas pela dessemantização, pela expansão da caligrafia e pela construção visual do signo.
Formalmente, seus traços recorrentes incluem: • caligrafias densas, gestuais ou cinéticas;

• sintetização da letra em módulos, repetições, padrões ou tramas;

• diálogo com tipografias geométricas e poesia visual;

• hibridismo entre caligrafia, tag, pixo e design;

• letra como abstração, mais do que mensagem.

Essa corrente emerge entre os anos 2000 e 2010, impulsionada pela
convivência entre pixo, caligrafia experimental e influências internacionais de
calligraffiti e letter abstraction. Em São Paulo, porém, assume uma feição
própria: uma escrita que ecoa tanto a radicalidade concreta quanto a urgência
da metrópole.