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Figuração de Estética Folclórico-Popular
Sobre o movimento
A corrente da Figuração de Estética Folclórico-Popular representa o encontro entre a arte urbana e os repertórios visuais da cultura popular brasileira — sobretudo a xilogravura do cordel, os motivos nordestinos, a iconografia vernacular, a pintura popular e diversas tradições gráficas regionais. Ela emerge na cena paulistana entre os anos 1990 e 2000, num contexto em que a cidade se torna um centro de migração nordestina e as artes urbanas passam a incorporar identidades periféricas e memórias culturais ocultadas pela paisagem modernista de São Paulo. Formalmente, essa vertente se caracteriza por:
• traços incisivos, grafismos rústicos e composição plana herdada da xilogravura;
• paletas reduzidas ou cores chapadas;
• referências ao cordel, ao artesanato, ao sincretismo religioso e a cenas da vida popular;
• caligrafias vernaculares e ornamentos tradicionais (filetados, arabescos, signos decorativos);
• narrativas diretas, com forte carga simbólica e identidade regional.
Mais do que uma estética, trata-se de uma afirmação cultural, uma presença nordestina inscrita nos muros de uma metrópole que historicamente negou sua diversidade.

